Histórico


A Fazenda Mandaguahy começou sua história em 1858 com a compra de uma gleba de terra de cerca de 6.000 alqueires (14.520 hectares) pelos irmãos Almeida Prado, Antonia, Leonor, Lourenço, Francisco, Vicente e João, filhos do Capitão-Mór de Itu, João de Almeida Prado, e netos do Ouvidor Lourenço de Almeida Prado e Capitão-Mór Vicente Taques Góes de Aranha.
A área comprada na Vila de Jahu era conhecida como Fazenda Pouso Alegre e foi dividida em onze partes entre os seis irmãos.Sendo que cada um recebeu duas partes com exceção de Eleonor e seu marido Francisco de Assis Bueno. O tenente Lourenço de Almeida Prado ficou com as benfeitorias originais e lavouras da Fazenda Pouso Alegre, casas de morada, senzala, paiol, moinho, serra d´água, gramado e cafezal, pagando por elas dez contos de reis.
O histórico dos proprietários da Fazenda Mandaguahy pode parecer um pouco confuso por conta de tantos casamentos consangüíneos. Esta tradição colonial foi mantida pela família ainda durante o Império, república chegando até a década de 1960. As explicações para este fenômeno são desde manutenção de riquezas na família ou simplesmente casamentos entre iguais.
A gleba da Fazenda Sant´Anna do Mandaguahy pertencia a irmã mais velha, Antonia de Almeida Prado casada com Joaquim Pires de Campos. Antonia falece em 1862, não deixando descendência deste seu segundo casamento. No inventário de Antonia de Almeida Prado, consta mais outras duas propriedades em Jaú fazendo um total de 953 alqueires. A fazenda Mandaguahy com então 499 alqueires fica para o seu segundo marido Joaquim Pires de Campos, bem como os bens móveis que estavam na fazenda como tachos de cobre, panelas de ferro,canastras, louças de mesa, bules, castiçais, oratório com imagem, catres, bruacas, bancos, cadeiras etc e os 15 escravos. Já os três filhos do primeiro marido de Antonia de Almeida Prado, Joaquim Ferraz de Almeida ficam com as outras propriedades na vila de Jaú e Piracicaba.
Joaquim Pires de Campos casa-se então com Anna Joaquina Ferraz ainda no ano 1862. Anna com 14 anos incompletos, consta que ao ser indagada qual presente de casamento gostaria teria respondido: “Uma boneca”. Joaquim e Anna têm apenas um filho, João Ferraz leite de Campos, pois no final do ano de 1863, Joaquim Pires de Campos faleceu, deixando-a viúva aos quinze anos e metade da fazenda Mandaguahy, 249.5 alqueires ou 598 hectares e a outra metade para seu filho.
No inventário de Joaquim Pires de Campos a fazenda é descrita com pouco detalhe, mas podemos notar que já havia todo uma estrutura montada. Como bens de raiz são citadas casas, senzalas e mais benfeitorias avaliadas em 1 conto e setecentos mil réis.
Ana Joaquina Ferraz casou-se pela segunda vez com Joaquim do Amaral Campos , não tendo filhos deste matrimônio. Fica viúva pela segunda vez em novembro de 1866 aos 18 anos. Seu segundo marido lhe deixa mais alguns escravos, alguns móveis, tais como catres, cômodas, canastras, dobradiças, pregos e 11 arrobas (165kg) de açúcar, o que dá a entender que havia provavelmente um pequeno engenho na Mandaguahy, apesar deste não ter sido inventariado. As benfeitorias incluíam casas, senzalas, paiol, gramados (pastos formados), cafezal e roças.
Anna Joaquina ,18 anos, um filho, casa-se então com o também Viúvo Francisco de Paula Almeida Prado, o “Major Prado”, em janeiro de 1867. Francisco de Paula, 46 anos, 8 filhos, era proprietário da fazenda Riachuelo originária da gleba inicial chamada Fazenda Pouso Alegre, 40 escravos e irmão de Antonia Almeida Prado, cujo viúvo Joaquim Pires de Campos casou-se com Anna Joaquina Ferraz que na ocasião tinha 13 anos.
Anteriormente, Major Prado foi casado com Izabel Xavier de Almeida Prado. Antes de se mudarem para Jaú, moravam em Indaiatuba, região de Campinas. No inventário de Izabel de Almeida Prado, morta em fevereiro de 1866, há menção de artigos ainda não muito comuns a região de Jaú. Há descrição de aparelho de chá, salvas, copos, talheres, caixa de tabaco, espelho todos feitos de prata, relógio plaquet, jóias, jogo de gamão, lavatório além de um dicionário de Farias, mas há poucos móveis. Isto pode ser explicado pelo fato do casal ter mantido a casa de Indaiatuba ainda montada na ocasião do falecimento de Izabel. A fazenda Riachuelo que acabava de ter suas matas originais cortadas já contava em 1866 com 19 hectares de café novo na ocasião da avaliação dos bens para o inventário.
Major Prado foi o último dos irmãos a tomar posse de suas terras. Ao abrir sua fazenda em 1865 nomeou-a São José do Riachuelo em homenagem a batalha da Guerra do Paraguai. Francisco de Paula Almeida Prado, foi líder político do partido conservador, major pela guarda nacional durante o Império e benfeitor. Na vila de Jahu foi delegado e fez doações para a construção igreja matriz, compra do órgão de tubo alemão, doação de um terreno de um quarteirão para a construção da Santa Casa de Misericórdia de Jahu e sócio fundador do Banco Melhoramentos de Jaú.
Ana Joaquina e Francisco de Paula foram casados por 37 anos. Morando ora na Fazenda Mandaguahy, ora na cidade de Jaú, na rua que hoje leva seu nome. Major Prado faleceu em 1904. Após o falecimento de seu marido Ana Joaquina muda-se para São Paulo, vivendo nesta cidade até o final de sua vida em 1929. O casal Anna Joaquina e Francisco de Paula Almeida Prado tiveram 7 filhos.
O filho caçula do casal, Pio de Almeida Prado, advogado, fica sócio de sua mãe em 1921 na Fazenda Mandaguahy e na Fazenda Saltinho. Pio começa a criação de gado Zebu, mas mantêm as plantações de 170.152 pés de café. A criação de gado funcionava como alternativa as sucessivas crises que o café atravessava. Durante o tempo em que criou zebu, o Mandaguahy recebeu vários prêmios pela boa qualidade de seu gado.
Dr. Pio foi Juiz de Paz na ocasião que residiu em Jaú. Fundou em parceria com seus irmãos mais velhos a Casa Comissária Almeida Prado em Santos e o Banco São Paulo na cidade de São Paulo, onde tinha residência permanente. Com o falecimento de sua mãe, herda conjuntamente com a esposa e meia sobrinha, Maria Aparecida (Mariquinha) a parte que lhe cabia como filho e a ela como neta de Anna Joaquina, ficando o casal o único proprietário das Fazendas Mandaguahy e Saltinho.
A Fazenda ficou sob a administração de Pio de Almeida Prado e um administrador profissional até 1929. Quando o filho do casal, Pio e Maria Aparecida, Francisco Pio de Almeida Prado, depois de uma temporada na Alemanha, foi mandado para Jaú.
Francisco Pio de Almeida Prado , nasceu em São Paulo em 1911 e casou-se com Maria Cecília Botelho de Almeida Prado (1915), prima de segundo grau que conheceu e enamorou-se ainda criança. Maria Cecília era bisneta de Major Prado e neta de Francisco de Paula Almeida Prado filho, o Coronel Paula Prado. Paula Prado era sócio do pai nas Fazendas Riachuelo e Monte Alegre desde 1897. Mas é na Fazenda Riachuelo que mantêm residência. Maria Cecília morou nos primeiros anos na Fazenda São José em Agudos e depois mudou-se para a Fazenda Riachuelo aberta por bisavô paterno.
Francisco Pio e Maria Cecília casaram-se em 1935. Tiveram três filhos, Pio de Almeida Prado neto, Francisco Pio de Almeida Prado filho, João Pio de Almeida Prado e uma filha, Maria Antonieta de Almeida Prado, quem administra a propriedade atualmente.

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